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sábado, 18 de abril de 2009

Música

martelo bigorna

Lenine

Muito do que eu faço
Não penso, me lanço sem compromisso.
Vou no meu compasso
Danço, não canso a ninguém cobiço.
Tudo o que eu te peço
É por tudo que fiz e sei que mereço
Posso, e te confesso.
Você não sabe da missa um terço

Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo

Tanto desencanto
A vida não te perdoa
Tendo tudo contra e nada me transtorna
Dentro do meu peito um desejo martelo
Uma vontade bigorna

Vou certo
De estar no caminho
Desperto.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Mensagem para o G20

Vapor barato, um mero serviçal do narcotráfico
Foi encontrado na ruína de uma escola em construção
Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína
Tudo é menino e menina no olho da rua
O asfalto, a ponte o viaduto ganindo pra lua
Nada continua
E o cano da pistola que as crianças mordem
Reflete todas as cores da paisagem da cidade que é muito
Mais bonita e
Muito mais intensa do que no cartão postal
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...
Escuras coxas duras tuas duas de acrobata mulata
Tua batata da perna moderna, a trupe intrépida em que fluis
Te encontro em Sampa de onde mal se vê quem sobe ou desce arampa
Alguma coisa em nossa transa é quase luz forte demais
Parece pôr tudo à prova, parece fogo, parece, parece paz
Parece paz
Pletora de alegria, um show de Jorge Benjor dentro de nós
É muito, é muito, é total
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...
Meu canto esconde-se como um bando de Ianomâmis na floresta
Na minha testa caem, vêm colocar-se plumas de um velho cocar
Estou de pé em cima do monte de imundo lixo baiano
Cuspo chicletes do ódio no esgoto exposto do Leblon
Mas retribuo a piscadela do garoto de frente do Trianon
Eu sei o que é bom
Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem
Apenas sei de diversas harmonias possíveis sem juízo final
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial...

Não adianta crer que a eleição de um homem vai fazer tanta diferença, temos que aproveitar
esta crise para repensar as estruturar que sustentam o mundo, dentro dos conceitos sociais e economicos.
Sustentabilidade é uma palavra que tem que estar gravada nos discursos dos representates de cada nação.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Aquarela



(Toquinho - Vinicius de Moraes - M. Fabrizio - G. Morra)

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo.Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva,E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva.
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel,Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu.Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul,Vou com ela, viajando, Havai, Pequim ou Istambul.Pinto um barco a vela branco, navegando, é tanto céu e mar num beijo azul.
Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená.Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar.Basta imaginar e ele está partindo, sereno, indo,E se a gente quiser ele vai pousar.
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partidaCom alguns bons amigos bebendo de bem com a vida.De uma América a outra consigo passar num segundo,Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo.
Um menino caminha e caminhando chega no muroE ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está.E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar,Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar.Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar.
Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá.O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar.Vamos todos numa linda passarelaDe uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá.
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo (que descolorirá).E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo (que descolorirá).Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo (que descolorirá).