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sexta-feira, 17 de abril de 2009

PURIFICANDO SEU PENSAMENTO


Aquilo que pensa toma a forma e se realiza. Quando mais cônscio for quanto às formas de como usa a sua mente, mais habilitado estará para deixar para trás formas negativas de pensamento. Sabendo que seu pensamento se espalha na forma de acção, passará a ser muito cuidadoso com o que pensa, pois sabe que seus pensamentos literalmente envenenam sua vida.

A purificação dos seus pensamentos é uma variação no tema da consciência superior...

O pensamento tóxico é o hábito de usar a sua mente como intérprete. Abandone esse hábito de interpretação constante e comece a viver sua vida livre de comentários do ego. A sua disposição de enfrentar as formas de pensamento que vem usando é a sua abertura para o processo de purificação. A possibilidade de parar de julgar lhe permitirá alcançar o terreno superior (onde conhece a presença divina) e experimentar a consciência mais rica que acompanha a vitória do Eu superior sobre o ego.

O simples facto de saber que pode escolher pensamentos menos tóxicos é uma compreensão importante. Muitas pessoas jamais tiveram essa compreensão. Consequentemente, elas gastam suas vidas inteiras a defender que seus pensamentos não podem ser mudados. Nós sabemos que sim. Sabemos que quem somos supera em grandeza os pensamentos que pensamos e somos mais divinos que o corpo onde esses pensamentos se desenvolvem. Os seus pensamentos e condutas são hábitos. As formas de funcionamento que permitiu ao seu mundo interior são hábitos resultantes da sua experiência de vida, incluindo as crenças que tem recebido de todas as pessoas bem-intencionadas que lhe transmitiram ensinamentos sobre a vida. Para purificar seu pensamento e fazer com que sua mente funcione exactamente como quer, disponha-se a examinar esses hábitos de pensamento. Assim iniciará o processo de purificação e verá a abertura para o seu Eu sagrado.


Adaptado do "Seu Eu Sagrado" "Tome a decisão de ser livre"


Dr. wayne W. Dyer

segunda-feira, 16 de março de 2009

Mantra - Som Mágico

por Clélio Berti

O Yôga utiliza os sons através dos mantras. A palavra pode ser dividida em man (pensar) e a partícula tra (instrumento). Mantra pode ser qualquer som, sílaba, palavra ou frase que tenha um determinado poder. Portanto, não é qualquer som que é mântrico.

Afinal para que serve o mantra? Cada som mântrico possui uma propriedade específica. Temos mantras para despertar ou adormecer, para serenizar ou energizar, para facilitar a concentração e a meditação, para melhorar a
saúde ou até para matar. Veja o exemplo dado pelo Mestre DeRose no livro Yôga, Mitos e Verdades onde um sábio hindu, para preservar-se de um facínora, tê-lo-ia matado apenas com a emissão de um som (mantra).
Entretanto, uma das aplicações mais interessantes dos mantras é para desenvolver os chakras e despertar a kundaliní.

Quando trabalhamos com chakras (centros de energia) e kundaliní (energia criadora) e os desenvolvemos, conseguimos despertar em nós mesmos um poder absolutamente interessante. Os chakras concentram energia e distribuem-na para o organismo. Com os chakras desenvolvidos e cheios de energia, o indivíduo apresenta uma saúde excelente, e desenvolve os poderes interiores que, no Yôga, chamamos de siddhis. Quando kundaliní sobre da base da coluna para o alto da cabeça, estimula todos os chakras e produz o conhecimento perfeito de si mesmo e do universo que nos envolve. Através de sons, os mantras, podemos estimular essa energia avassaladora.

Entretanto, antes de estimular os chakras e despertar kundaliní, é necessário que os canais por onde a energia passa estejam limpos e desobstruídos. Esses canais são chamados nádís. Se os canais não estiverem
desobstruídos, quando a energia for passar e não conseguir, poderá haver um derrame dessa energia fora dos canais. Os efeitos desse derrame são, a nível energético, semelhante ao derrame de uma artéria que se rompe. O sangue derramado da artéria produz conseqüências físicas dependendo do órgão afetado. Se o derrame de sangue ocorre no cérebro, pode causar paralisia. Da mesma maneira, o derrame da energia pode causar prejuízos na esfera energética. Esses canais energéticos entopem por maus hábitos alimentares e, principalmente, por emoções e sentimentos viscosos. Cada emoção densa, como ódio, inveja, ciúme etc provoca resíduos nos canais energéticos (nádís).

Os mantras servem também para desobstruir as nádís. Toda vez que se vocaliza um mantra, produz-se o som audível e o ultra-som. Este, por vibração, provoca a limpeza dos canais energéticos.

Para o desenvolvimento dos chakras, os mantras atuam por ressonância. Quando produzimos um ultra-som que vibra na afinação dos chakras, eles reagem ao estímulo. Cada vez que produzimos o mesmo ultra-som, teremos um novo estímulo no chakra. Se o fizermos com constância, o chakra vai desenvolvendo-se e produzindo os efeitos a nível orgânico.

Como posso saber, se um som é mântrico ou não? Como posso saber, se o som produz efeito biológico ou não? No Yôga, os mantras foram desenvolvidos pelos Mestres ancestrais empiricamente. Eles observaram que determinados sons produziam os efeitos e os codificaram.

Não é suficiente uma frase escrita. Faz-se necessário vocalizar o som em determinada altura, com timbre definido, com a modulação correta e numa língua morta. A forma certa de aprender é escutar o mantra de um professor de Yôga formado e tentar reproduzi-lo com perfeição. Então, o praticante repete várias vezes e o Mestre corrige-o até a vocalização ficar perfeita.

Há vários tipos de mantras.

Kirtan é o tipo de mantra que possui várias notas musicais e várias palavras. O significado é cântico. É uma categoria de mantra para alegrar. Extroverte. Os efeitos são mais psicológicos que fisiológicos.

Japa possui uma só nota musical, uma só palavra, uma só sílaba. O significado é repetição. A idéia básica é repetir o som em intervalos regulares, no mesmo ritmo, na mesma freqüência, com o mesmo tom de voz. Os efeitos são mais fisiológicos que psicológicos. Introverte. Pode-se executar um kirtan no formato de japa, mas não é ideal. Quando um japa é executado com perfeição por uma quantidade de tempo razoável e repetido todos os dias, produz efeitos poderosos.

Bíja é um tipo especial de japa que desenvolve os chakras. O significado é
semente. É o som que sintetiza o som do chakra. Quando é executado, o bíja provoca a ressonância do chakra ativando-o. Para que produza efeitos deve-se repetir todos os dias, sistematicamente, por um bom período de tempo. A prática do bíja mantra requer uma série de cuidados. Os efeitos são muito poderosos, portanto, a cautela torna-se essencial. A vocalização dos bíjas não é para iniciantes. Você pode aventurar-se nesse universo somente após conversar com o seu instrutor de Yôga formado para saber, se você já está apto para essa prática. Os bíjas devem ser executados mantendo-se uma proporção. Os bíjas dos chakras superiores podem ser vocalizados mais vezes que dos chakras inferiores.

Para poder dedicar-se aos bíjas mantras, é necessário ter a alimentação preconizada pelo Yôga. Outro elemento importante é a administração das emoções. Ativar os chakras significa um aumento poderoso da energia interior. Portanto, o yôgi deve estar preparado para canalizar essa energia. Se você ainda possui emoções viscosas, como ódio, inveja, ciúme, ainda não
está na hora de trabalhar os bíjas mantras. Primeiro é necessário trabalhar essas emoções para, depois, ativar os chakras. O Yôga Antigo possui um recurso extraordinário para administrar as emoções: denomina-se bhúta shuddhi que é a purificação intensiva.

Vaikharí é o mantra vocalizado, audível. É importante vocalizar para que o Mestre possa corrigir o praticante.

Manasika é o mantra mental. Ou seja, ele não é vocalizado com o aparelho fonador, mas sim executado mentalmente. O mantra executado apenas mentalmente é mais poderoso e produz mais efeitos que o vocalizado com o aparelho fonador. Uma vantagem do mantra mental é que se pode vocalizar numa velocidade que seria impossível para o aparelho fonador. Shivánanda
recomenda que se execute o mantra ÔM quatrocentas vezes por minuto.

Um mantra especial é o mantra ÔM. Ele é o bíja-mantra do ájña chakra, ou seja, o som que desenvolve o centro de força responsável pela meditação, intuição, inteligência e premonição. É o mantra ideal para a prática de meditação. É o único som semente que pode ser vocalizado sem qualquer contra-indicação. É um mantra perfeitamente equilibrado.

Na meditação pelo som, pode executar o mantra ÔM verbal ou mentalmente. O praticante concentra-se no som e repete-o em intervalos regulares por um tempo de varia de acordo com o nível do praticante. Para os iniciantes, o tempo não deve ultrapassar cinco minutos. Para os veteranos, pode-se ficar até vinte minutos nessa prática. Mais que vinte minutos, só com a autorização do seu Mestre supervisor. Assim você executa japa, bíja e combina com meditação.

Os praticantes mais avançados podem combinar a vocalização do mantra ÔM com a visualização do símbolo do ÔM dourado pulsando no intercílio. Pode ser no ritmo dos batimentos cardíacos, ou, se mental, na velocidade sugerida por Shivánanda de quatrocentas vezes por minuto.

O livro Faça Yôga Antes que você Precise do Mestre De Rose, reconhecido pela seriedade do seu trabalho, apresenta trinta e quatro mantras diferentes. São mantras na categoria de kirtans, ou seja, extroversores. Para que você possa executá-los, deverá aprender a vocalizar com um instrutor de Yôga formado.
Não se deixe levar por ensinantes leigos. Aprenda com quem faz direito, com um instrutor de Yôga formado. Você pode adquirir também CDs de mantras onde você encontra a entonação correta. A Universidade de Yôga possui vários CDs de mantras.

O ideal é que você não faça práticas unilaterais. Ou seja, fazer uma prática só de mantras ou só de meditação ou só de respiratórios não é recomendável.
O ideal é que você combine várias dessas técnicas e as execute numa única prática. Para você ter uma idéia, o Yôga Antigo possui uma prática completa
com os seguintes elementos: mudrá (gesto feitos com as mãos), pújá (retribuição ética de energia), mantra (vocalização de sons e ultra-sons), pránáyáma (expansão da bioenergia através de técnicas respiratórias), kriyá
(atividade de purificação das mucosas), ásana (técnica orgânica), yôganidrá (técnica de descontração) e samyama (concentração, meditação e hiper-consciência).

Se o seu tempo for curto, prefira uma prática completa onde você executa cada passo por menos tempo do que ficar muito tempo numa única técnica.
Reserve o seu tempo e boa prática.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O dedo de Buda

Retirado do site: Associação Hermes



Buda e o macaco (o macaco é visto muitas vezes como um símbolo do eu psicológico, irrequieto e ágil)

Uma história chinesa conta que o macaco se maravilhava um dia com a sua própria agilidade.
- Salto admiravelmente de ramo em ramo, corro como o vento, dou pulos, por momentos tenho a impressão de voar.
Um homem que passava por ali – tratava-se de Buda sob disfarce, mas o macaco não podia reconhecê-lo, ocupado que estava consigo próprio – ouviu as palavras do animal e disse-lhe assim:
- Vês aquele grande poste que se ergue lá em baixo, no campo?
O macaco olhou na direcção que o homem apontava e avistou, com efeito, um poste alto, bem visível.
- Proponho-te uma corrida – prosseguiu o homem. – Trata-se de ir até ao poste o mais depressa possível.
- Posso ir pelas árvores? – Perguntou o macaco.
- Naturalmente. Podes usar os meios que desejares para ir até ao poste. Mas para ambos termos a certeza de que o topo do poste foi atingido, temos que deixar lá a nossa marca, a nossa assinatura.
- Aceitas?
- Vamos até ao poste – disse o macaco, prudente e astuto – subimo-lo, deixamos lá uma assinatura e o primeiro que voltar aqui ganha?
- É isso mesmo.
O macaco reflectiu um momento e olhou para o homem, que era idoso e um pouco gordo.
- Estou de acordo – disse por fim.
Adivinhava uma armadilha, mas não podia ver a forma dela.
Foi dado o sinal de arranque. O macaco partiu com uma rapidez maravilhosa, passando como por magia aérea de uma árvore para outra. Atingiu o poste, subiu-o sem a menor aparência de esforço, depôs lá com presteza a sua assinatura, desceu e voltou aos saltos para o seu ponto de partida.
Ali encontrou o homem que parecia não se ter mexido e o esperava, sorrindo.
- Ganhei! – disse o macaco.
- Não – disse o homem. – Perdeste.
- Como é possível? Atingi o poste em menos de três respirações, escalei-o, marquei-o com a minha assinatura e voltei aqui! E tu, durante este tempo, não te mexeste!
- Porque havia de me mexer? – Perguntou o homem.
- O macaco não soube o que responder. Ficou ali, apesar de tudo um pouco ofegante, e desconcertado.
- Vê – disse então Buda, sob o seu disfarce de homem, mostrando-lhe um dos seus dedos.
O macaco olhou para o dedo e viu que a extremidade estava marcada com uma nítida assinatura.
Sem compreender, o macaco focou o olhar no campo, no sítio onde, um instante mais cedo, se erguia um grande poste.
Mas o poste tinha desaparecido.


do livro: Jean-Claude Carrière, Tertúlia de Mentirosos,
contos filosóficos do Mundo Inteiro,
Ed.Teorema

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Jesus voltará??....

Em momentos de crise, com as bolsas despencando pelo mundo inteiro, bancos falindo e uma possível recessão. A ameaça do Fim do mundo retorna, a crença no apocalipse e no julgamento final é um tema bastante em voga.
Sendo assim, é quase impossível não pensar, a final Jesus voltará ou não? Bem, dando minhas olhadas no bom e velho orkut, és que me deparo com um fórum de uma determinada comunidade, onde o tópico “ Jesus Voltará?” era o titulo que me chamou bastante atenção.
Não vou reproduzir todos os discursos empregados pois não cabe aqui fazer uma transferência e mesmo por que nem tudo dito realmente pode ser aproveitado para uma reflexão, entretanto dois membros me chamaram atenção com suas explanações sobre o tema.


Conteúdo extraído de uma comunidade do orkut, digitados por Adonai e ★ Luiz
Adonai

Os Evangelhos são textos iniciáticos, absolutamente simbólicos, tratam de um desenvolvimento interior. O fato de havido ou não um indivíduo chamado Jesus Cristo é o que menos está importando neste caso.
O nome Jesus é simbólico, significa "O Salvador". O fato dele ter nascido de uma "Virgem" é uma referência ao fato de que a Elevação de Consciência, ou seja, a Salvação do Ser, que vive mergulhado nas questões materiais, nasce da "Pureza".
E assim é com uma série de simbolismos que não devem de modo algum serem interpretados, especialmente por nós, da mesma forma que alguns religiosos supersticiosos interpretam, ou seja, literalmente. Se formos interpretar os textos bíblicos todos literalmente vamos ter um amontoado de coisa sem o menor sentido.


★ Luiz

De fato, é por medo de ir para o inferno que as pessoas se submetem a uma série de restrições programadas pelos donos de religiões ligadas ao poder.
Isso ficou mais forte com o domínio político da Igreja Católica a partir da fase final da História de Roma. A Igreja cresceu no momento da crise do Império.
"O Cristianismo é a religião da decadência do Império Romano. E até hoje nós estamos seguindo a religião da decadência do Império Romano”. (Fernando Pessoa).
O inferno é um bom modo de o poder social/político/religioso convencer a muitos a se adaptarem aos seus valores.
Quanto à Bíblia, concordo com o que alguém disse: ela é simbólica.Joseph Campbell, em obras como O Poder do Mito e Tu És Isso, falou muito sobre isso: a linguagem dos livros religiosos é METAFÓRICA, e NÃO É LITERAL.Assim, Cristo tem muito mais a ver com um estágio que qualquer pessoa pode alcançar ao despertar a Divindade que existe dentro dela mesma.
Se Cristo voltará? Isso é outra metáfora.
Mesmo porque com um monte de gente falsa dizendo que é seguidora dele, Cristo já deve estar de saco cheio de ser tão evocado!


Adonai

Concordo com o que nosso amigo ★ Luiz disse. Eu até diria que o Império Romano não acabou, apenas mudou de ramo, deixou de ser uma instituição política para se tornar uma instituição religiosa, para isso apenas mudando a "razão social".
Mas algo que é preciso que se ressalte é que tem sido muito freqüente a confusão entre instituições, filosofias e conhecimentos.
A Igreja Católica Apostólica Romana, é uma instituição, assim como são instituições outras organizações como Igrejas Protestantes e Evangélicas. O que essas instituições têm em comum é o fato de terem sua estrutura doutrinária baseada numa mesma filosofia.
O Cristianismo é uma filosofia, e como filosofia devemos entender algo como uma maneira específica de lidar com conhecimentos. Em torno de Filosofias se criam instituições, e assim e a filosofia do Cristianismo é adotada por diversas instituições diferentes, podendo-se incluir: o movimento Pentecostal, o Kardecismo, o catolicismo, entre outros.
O que tem acontecido é que temos falado sobre a Igreja Católica (instituição), ou sobre alguma outra instituição da linha das Igrejas Evangélicas como se isso fosse o Cristianismo, e nos referindo aos problemas e desvirtuamentos doutrinários, ou mesmo éticos de tais instituições como se o Cristianismo fosse isso.
O problema surgiu pelo fato de que a filosofia (Cristianismo) nos chegou através de uma leitura e interpretação de uma instituição específica (Igreja Católica).
A "Bíblia" é um livro que foi criado para "consumo interno" da instituição Católica, sendo que seu uso passou a ser adotado por outras instituições que buscassem a filosofia do Cristianismo. Mas neste livro doutrinário da Igreja Católica não encontramos apenas o Cristianismo, como também elementos de outras filosofias como é o caso do Judaísmo.
Quanto às filosofias, atualmente temos a filosofia do Cristianismo misturada à do Judaísmo, criando uma visão bem menos clara do Cristianismo em si.


A minha intenção é de colocar em debate nossa mania e deixa ao Deus dará no futuro esperando que o Salvador desça e resolva nossos problemas como se nós mesmos não tivéssemos nada com isso.
O Cristo voltando em forma física e/ ou espiritual ou de forma metafórica, não isentará ninguém de seus pecados sem que não haja arrependimento.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Um pouco de ti em mim

Texto extraído de uma comunidade do orkut, digitado por Lílian

Ao se estudar Carl Jung descobriremos que dentro de cada homem há uma mulher (anima) e em cada mulher há o princípio masculino (animus). Este eterno jogo de yin-yang se ajusta e se completa. Portanto, nenhum indivíduo é inteiramente masculino ou inteiramente feminino. Cada um de nós é composto dos dois elementos e esses dois constituintes estão freqüentemente em conflito. O princípio feminino ou "Eros" é universalmente representado pela Lua e o princípio masculino ou "Logos" pelo Sol. O mito da criação no Gênesis afirma: Deus criou duas luzes, a luz maior para reger o dia e a luz menor para reger a noite. O Sol como princípio masculino é o soberano do dia, da consciência, do trabalho e da realização, do entendimento e da discriminação conscientes, o Logos.
A Lua, o princípio feminino é a soberana da noite, do inconsciente. É a deusa do amor, controladora das forças misteriosas que fogem à compreensão humana, atraindo os seres humanos irresistivelmente um para o outro, ou separando-os inexplicavelmente. Ela é o Eros, poderoso e fatídico e totalmente incompreensível.Na natureza, o princípio feminino mostra-se como uma força cega, fecunda, cruel, criativa, acariciadora e destruidora.É a fêmea das espécies mais mortal que o macho, feroz em seu amor como também com seu ódio. Esse é o princípio feminino na forma demoníaca. O medo quase universal que os homens têm de cair sob o domínio ou fascinação de uma mulher e a atração que esta mesma servidão têm para eles, são evidências de que o efeito que uma mulher produz num homem é, em geral realmente de caráter demoníaco.Essa imagem repousa tão somente, na natureza da própria "anima"do homem ou alma feminina, sua imagem interior do feminino. A "anima"' não é uma mulher, mas um espírito de natureza feminina, que reflete as características do lado demoníaco, tanto glorioso, como terrível. Na vida cotidiana o homem não entra diretamente em contato com o princípio masculino duro, predatório, mas encontra-o sob a máscara humana, mediado pela sua função superior.Mas o feminino dentro dele não é mediado através de uma personalidade humana culta e desenvolvida. O princípio feminino, age sobre ele diretamente do inconsciente, aproximando-se como um traidor que vem de dentro.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Posídon e Anfitrite


Triunfo de Anfitrite – pintura sobre tela – Joseph-Marie Vien 1716 -1809




Crono, o senhor do tempo, decidiu que seu reinado como governante do Universo seria eterno. Adivinhando que Geia, sua mãe, que o odiava por ter humilhado Urano, não concordaria com sua resolução, resolveu agir sozinho. Ele sabia que Geia não acreditava no poder supremo de um único governante. Ela acreditava na mudança de épocas, no eterno movimento da vida; pensava que os jovens precisavam assumir o lugar de seus pais para renovar o mundo. Certamente, Crono teria que ceder seu trono a um filho seu.Geia, outrora, havia afirmado a Crono que um de seus filhos o destronaria e tomaria seu lugar. Até mesmo o todo-poderoso Crono começava a ficar amedrontado. Ele já não tinha mais tanta certeza que seu reinado duraria para sempre, pois, horrorizado, lembrava-se da maldição do pai e temia que os próprios filhos se voltassem contra ele, conforme ele próprio havia feito contra Urano, e teria que tomar uma horrível decisão: engolir os filhos que de Réia tivesse.Engoliu inteiro a Héstia, a primeira recém-nascida, enquanto a mãe, horrorizada, sofria em prantos.

E o mesmo destino teve Deméter, e Réia foi obrigada a entregar-lhe cada criança que dela nascia. Ao nascer o terceiro filho, a desventurada Réia, com a ajuda de sua mãe, Geia, conseguiu salvar Zeus, substituindo-o por uma pedra, o Abadir, enrolada em panos, que o titã voraz não teve sequer o trabalho de desenrolar tamanha sua gula. Foi a senha para Geia conseguir salvar mais três de seus filhos: Héra foi ocultada no oceano, Hades foi substituído por uma deusa chamada Glauca, que nasceu em seguida e não pode ser poupada, e Posídon foi salvo, transformado em potro e levado a uma cocheira na terra dos Pelasgos, depois foi entregue aos cuidados dos TésquinesEnquanto alguns se viam aprisionados vivos no divino e amplo estômago de Crono, os deuses salvos cresciam e viviam em terras distantes. Posídon havia sido criado pelos Télquines e pela oceânide Cáfire, na ilha de Telquínia, que no futuro levaria o nome de Rodes. Ainda adolescente, uniu-se com Hália, uma ninfa, que era filha de Póntos, a Onda Marinha, e de Geia, a Terra, e, além dos Télquines, eram também seus irmãos os antiqüíssimos Nereus, Fórcis, Taumas, Cefeus, Euríbia e o monstro-marinho Cétos.

Com ela, teve seis filhos e uma filha, Rodes.Então, um dia, incitado por Geia, a Terra, Zeus resolveu libertar suas irmãs aprisionadas no bojo do pai Crono. Fazendo-o vomitar através de uma poção mágica preparada por Métis, o raivoso Crono partiu para cima de Zeus, quando surgiram ao seu lado seus irmãos Posídon e Hades, que instantaneamente se posicionaram para protegê-lo. Crono, então, invocou o auxílio de seus poderosos irmãos Hiperíon, Jápetos, Céos e Crios, que prontamente surgiram ao seu lado. Não podendo enfrentar os Titãs de mãos vazias, já que os Titãs eram demasiadamente poderosos, Zeus e seus irmãos retiraram-se às pressas para reunir forças. Zeus contou com o auxílio de seus irmãos e demais deuses. Não estiveram sozinhos na batalha que iriam travar. Aliaram-se a eles o poderoso filhos de Océanos, que lutavam pela ordem, pelo trabalho e pela paz, respectivamente a poderosa oceânide Estige e seus filhos Cratos, Zelos, Bia e Niqué, que foram os primeiros a prestarem auxílio a Zeus. Outro forte aliado foi um deus que gostava muito da raça humana: Prometeus, filho do titã Jápetos, que resolveu ir contra o seu próprio pai em prol da humanidade. Aconselhados por Métis, Zeus e os demais deuses escolheram como campo um lugar do monte Olimpo, e profetizou que ali haveriam os deuses de construir a sua sede, um palácio magnífico e o seu santuário.

Com a derrota dos Titãs, Zeus encerrou-os no lugar mais profundo dos Infernos, deu punição aos seus inimigos e resolveu unir-se a algumas Titânidas e com elas ter filhos: com Mnemósine teve as Musas, para cantarem a sua vitória, com Métis teve Atena, que nasceu tardiamente pela cabeça de Zeus, com Têmis teve Astréia, as Horas, as Moiras, Homónoia e as Ninfas do Erídanos. Só então Zeus casou-se com Héra, sua irmã. Em seguida, realizou a partilha do mundo, concedendo a Hades os subterrâneos e os Infernos e a Posídon todas as águas que circundam e adentram-na na Terra.A Posídon, que lhe coube pela sorte o domínio dos mares, Zeus deu-lhe de presente uma grande carruagem com a forma de concha. O carro vinha atrelado a dois seres monstruosos, metade cavalo metade serpente.— Posídon, leal herói, a ti, com teu tridente, entrego todo o governo das águas que encontrares, estejam elas nos rios, nos lagos ou mesmo nos mares. Também cabe a ti mandar na fauna e na flora que pelas águas habitam!— Levarei Deméter comigo, meu irmão! É com ela a quem vou me casar!Posídon, todo agitado, pleno de orgulho e glória, assim gritou, enquanto Deméter só ouvia, quieta em um trono, que não conseguia esconder todo o desgosto que saltava de seus olhos, em seu rosto.

Reconhecia o valor de Posídon, pois lutara ao seu lado, contudo, não tinha intenção de unir-se em matrimônio sincero, com qualquer imortal. Amava os seres humanos com muita intensidade, estranho sentimento conhecido por todos os presentes. Forte constrangimento invadiu a reunião. Brilhava o ouro do salão, refletindo em cada borda, torneado de colunas, no teto e no chão dourados, a tensão inquietante, diante daquele impasse causado pelo desejo do temido rei dos mares. Todos sabiam que Posídon, quando expressava algum pedido, falava mais em tom de mando, certo de que seu gosto haveria de ser realizado. Assim, aguardaram de Zeus mais justa e sábia palavra que trouxesse paz à partilha dos poderes, visto que temiam ver ferido o coração de Deméter. Zeus permanecia calado. E Posídon, já em seu carro, pronto para partir, ansioso para governar o seu reino, estendeu o braço na direção de Deméter, crendo que o silêncio de seu irmão lhe era o consentimento para levar a irmã.Dura, Héra encarou Zeus, feito quem exigia dele mais correta intervenção.

Assim fez Hades, e Héstia adiantou-se do trono em que estava sentada.— Meu senhor, não pode ser o que vai acontecer!— Cala-te! Não te intrometas, com a moléstia da pressa, cara Héstia, pois percebo a aflição que se passa! Seria justo o que pretende nosso irmão Posídon, se eu, a meu mando, não tivesse comigo, também, a missão de doar Deméter!Então, Zeus se dirigiu a Posídon:— Não queiras além do que quero, valente Posídon!Posídon, muito abatido por tal decisão, conteve-se e teve que aceitar. Sequer respondeu à ordem recebida. Levando em mãos o tridente, arma que usara desde as primeiras batalhas contra os Titãs, fez avançar seu carro para fora do salão real, rumo ao Oceano. Por onde passava, tremia a Terra, e gritava o Ar.Posídon, apesar de morar agora nas profundezas dos mares, tinha o poder de saber tudo o que se passava no mundo. Seu tridente lhe dava o poder de acalmar os elementos, desencadear maremotos e fazer surgir ou desaparecer as ilhas. Devido ao temor que seu poder provocava, todos tinham medo dele e nenhuma mulher queria se envolver com ele.Posídon era um deus rabujento e colérico, sempre fincando seu tridente no fundo do mar e provocando terremotos a propósito de qualquer contrariedade, a ponto de ser conhecido pelo nome de Enosigeus, “o Abalador da Terra”.

E Zeus entendia e sabia dos motivos de ser tão brutal.— “Posídon, o importuno”, eis o que é! É, não tem jeito mesmo, vamos ter de lhe arrumar uma esposa... Quem das deusas do Olimpo?Zeus pensou... pensou... e chegou a uma conclusão: haviam muitas Ninfas espalhadas pelo mar, como as Oceânides, as Nereidas e as Tritônidas. Posídon deveria escolher uma delas.— Íris!— Sim, meu pai. — Vai até o fundo do mar e traz a mim o velho Nereus.Océanos, unindo-se à sua irmã Tétis, havia tido, entre tantas Oceânides, uma filha chamada Dóris, que se casou com Nereus, filho do deus Póntos. Tiveram cinqüenta belas filhas, as Nereidas. E chamavam-se: Actéia, “a que mora nas costas”, Agave, “a nobre”, Anfitrite, Autónoe, “a que inspira”, Cálice, Cimatóloge, “a que apara as ondas”, Cimo, “a deusa da onda”, Cimódoce, “a que recolhe as ondas” ou “o marulho”, Cimótoe, Clímene, Dinâmene, “o movimento dos vagalhões”, Díone, “a deusa”, Dóris, “a dos dons”, Drimo, Érato, “a que desperta o dom do amor”, Espeio, “a que mora em cavernas”, Eucrantis, “a que traz a realização”, Eudora, “a dos bons presentes”, Eulimene, “a dom porto favorável”, Eunice, “a vitória feliz”, Eupompe, “a da boa escolta”, Evarne, Ferusa, “a que traz”, Filódoce, Galatéia, “branca como o leite”, Galena, “o tempo calmo”, Glauce, “o verde-mar”, Glaucônome, Hália, “a que mora no mar”, Hipónoe, “selvagem com a égua”, Hipótoe, “ligeira como a égua”, Ione, “a deusa da praia”, Laomedéia, “soberana do povo”, Liágore ou Evágore, “a eloqüente”, Lisianassa, “a senhora redentora”, Menipe, “a égua corajosa”, Neséia, “a que mora nas ilhas”, Neso, “a deusa da ilha”, Orítia, Pânope ou Panopéia, Pasitéia, Plóte, “a nadadora”, Polínoe, Pontoperéia, “a que viaja pelo mar”, Prónoe, “a próvida”, Protomedéia, “a primeira soberana”, Psâmate, “a deusa da areia”, Tália, “a verde”, Temiste, Tétis e Toe, “a que se move depressa”. Houve outra nereida, Doto, “a doadora”, nascida de Nereus e sua filha Galatéia.

Então, Íris, que era muito veloz, pois era alada, rumou para o mar. Recolhendo suas asas, deu um mergulho espetacular e chegou até os domínios do deus Nereus.E, mais tarde, no Olimpo...— Nereus, meu velho, que bom ver-te aqui no Olimpo outra vez! Como tens passado?Nereus, de longas e alvas barbas, suspeitava que Zeus tramava algo, e perguntou:— O que ordenas, deus supremo?Zeus pôs uma mão sobre o ombro do velho amigo e disse:— Pois bem. Quero que cedas uma de tuas filhas a meu irascível irmão. Não posso mais suportar as suas teimosias e temo que haja um confronto mais sério entre nós, caso ele não se acalme. Tu sabes, precisa de alguém que lhe aconselhe, lhe acalme, lhe dê conforto... essas coisas.— Sei. Pois não, poderoso Zeus. Podes escolher qualquer uma de minhas cinqüenta filhas.— Cinqüenta? Não eram cem?— É... podem ser cem, como podem ser mil... não importa. Seja como for, são muitas.Depois de estudar a questão, uma multidão de Nereidas foi chamada a comparecer no Olimpo, e Zeus viu-as umas mais belas que as outras. Eram todas belíssimas. Mas Zeus, depois de observar uma por uma, notou que uma delas se escondia atrás das demais, e procurava esconder-se à medida que Zeus tentava observá-la. E Zeus perguntou:— Como se chama aquela que não se deixa mostrar?— Perdoa-me, senhor, mas são muitas. Qual?— Aquela, a menos assanhada... que está bem atrás das demais. Como se chama?— Ah, é Anfitrite. Ela é um pouco tímida, sabe... Mas não te preocupes com ela, tem muitas outras que podem servir...E Zeus interrompeu-o, jubiloso:— Anfitrite será a esposa de Posídon!— Mas será que não seria melhor...— Não, não, Anfitrite será a esposa ideal.Zeus deu uma palmadinha na face enrugada do amigo, que voltou-se para a filha e olhou-a com tristeza. Anfitrite amava seu pai com tanta ternura e compreensão que para ficar em sua companhia para sempre havia decidido jamais casar-se.

Nereus, para não contrariar a vontade do rei dos deuses, concluiu:— Está bem. Manda teu irmão ele mesmo ir buscá-la. E retirou-se.No mesmo dia Zeus comunicou a escolha ao mal-humorado irmão, que decidiu, ainda assim, conhecer a sua futura noiva.— Vai com calma. As filhas de Nereus costumam ter o senso de independência muito pronunciado.Porém Posídon, que tinha o senso de prepotência ainda mais pronunciado, não se intimidou.— Onde posso ir encontrá-la?— Ela está na ilha de Strongyle, junto com suas irmãs.Posídon, confiante, partiu de seu palácio azulado no fundo do mar em direção a Strongyle, a futura ilha de Náxos, conduzindo seu carro puxado por golfinhos.Fazia um lindo dia de sol quando chegou às margens pedregosas da ilha. De fato, por cima dos grandes rochedos franjados pelas espumas do mar, lá estavam as encantadoras filhas de Nereus, algumas deitadas, descansando, enquanto outras, mais animadas, executavam os passos de uma movimentada dança. De vez em quando uma delas, estirando a longa cauda recoberta de escamas douradas, dava um mergulho repentino nas águas verdes do arquipélago: um grande borrifo verde erguia-se, então, como se elas lanças sem lá do fundo um imenso punhado de esmeraldas, que subiam, faiscando, em todas as direções.

Posídon, o senhor dos mares, boquiaberto, pasmava para aquela cena paradisíaca. E exclamou o excitado deus, tratando, em seguida, de sentar-se ligeiro em seu carro.— Verdadeiramente encantadoras...De repente, ouviu a voz de uma das Nereidas.— Hei, Anfitrite! Vem juntar-se a nós!Os olhos de Posídon voltaram-se para uma grande pedra isolada, que estava situada mais para dentro do mar. A pedra tinha o formato de um leito, magnífico trabalho de polimento operado pelas perfeccionistas Ondas, que durante séculos, com toda a calma, a haviam polido até dar-lhe aquela conformação ideal.Em cima daquele leito solitário e da cor do chumbo estava estendida a divina Anfitrite. Era uma das poucas Nereidas a ter os cabelos negros, da cor da Noite, enquanto que as escamas de sua longa cauda tinham uma brilhante cor prateada, matizada por maravilhosos reflexos azulados e cor-de-rosa que se alternavam ao menor movimento. Com as costas coladas à pedra, Anfitrite dos cabelos negros tinha a face voltada para o alto; seu braço direito, caído sobre o rosto, protegia seus olhos dos raios fortes do Sol, enquanto os peitos firmes apontavam para o céu.Posídon pensou:— “Que mulher! Se tais são seus lábios e seu nariz... como deverão ser seus divinos olhos!”Um arfar mais indiscreto do deus, contudo, despertou a atenção da formosa Anfitrite. Seu braço caiu e as pestanas de longos cílios recurvos ergueram-se, piscantes — e foi, então, como se duas estrelas houvessem se descortinado.— Divina e encantadora Anfitrite! A partir de hoje tu serás minhas esposa e a ti caberá a honra de ser, para sempre, o repositório sagrado de meu divino sêmen.Anfitrite, assustada ao ver ao seu lado o deus verde do mar, de longos cabelos recobertos de mariscos e uma barba hirsuta tostada pelo Sol, deu um ágil mergulho para dentro da água.

Posídon ainda conseguiu agarrar um pedaço de sua cauda, mas as escamas lisas escorregaram por entre seus dedos, até surgir a grande e quase transparente barbatana, leve e fremente como um leque, que lhe deu uma bofetada, antes de desaparecer nas ondas.— Para onde foi...?E Posídon perdeu-a de vista. Percorreu todos os lugares próximos dali, foi procurá-la inúmeras vezes no palácio de Nereus, nas profundezas do mar, mas ninguém sabia dizer onde ela estava. Anfitrite havia sumido e foi esconder-se nos confins da Terra, perto de onde o titã Átlas sustentava o firmamento sobre os ombros.Irado, Posídon começou a sapatear e a bater ferozmente com seu tridente por toda parte, demolindo os imensos rochedos subterrâneos e provocando, com isso, terríveis maremotos na superfície dos oceanos. Ondas imensas eram cuspidas para o alto e montanhas inteiras arremessadas para as costas das aldeias litorâneas, levando o pânico a todos os mortais.Finalmente, Zeus, no último limite da aflição, ordenou a Nereus que revelasse o local onde Anfitrite fora se ocultar. O pobre velho não sabia, mas sua esposa Dóris, como toda boa mãe, sabia.Depois de um sem-número de pedidos, Zeus finalmente conseguiu obter da mãe das Nereidas o que as súplicas do velho marido não tinham podido alcançar. Disse-lhe Zeus:— Somente as carícias de tua divina filha poderão suavizar o rude temperamento de meu irmão.

E quando isto acontecer, e a crosta primitiva de meu irmão houver caído, verá ela que se casou com um homem gentil e atencioso, além de ter se tornado rainha de todo um império.E resmungou a mãe de Anfitrite:— Rainha de todo um império...Anfitrite havia-se também recusado casar-se com Posídon, porque temia ser forçada a viver longe de seus pais e de suas irmãs. Entendendo seu ponto de vista, que era muito justo, ainda assim teve que ceder, embora deixasse bem claro que não fazia questão alguma que sua filha se tornasse uma rainha.Dóris revelou o lugar do esconderijo de sua filha. Desesperado, Posídon, com medo de assustar novamente sua futura esposa, pediu ajuda a seus súditos, os animais marinhos, a fim de localizá-la e prepará-la. Atendendo ao apelo do seu senhor, incentivados por Zeus, dois golfinhos localizaram Anfitrite e conseguiram convencê-la a ouvir o que o deus pretendia dizer-lhe. E Anfitrite, percebendo que não havia saída, aceitou. E os golfinhos retornaram para buscar Posídon, que rumou para lá, silenciosamente, montado em um discreto golfinho.Dentro de uma caverna, oculta por uma floresta de líquens, estava a assustada nereida, quando Posídon, pé ante pé, adentrou o recinto, desta vez com suas barbas lustrosas e perfumadas.— Anfitrite adorada! Vem comigo, e garanto que não terás jamais motivos para te queixares de mim.Posídon parecia realmente mudado: trajado modestamente, sem aquele ar arrogante que o caracterizava, havia deixado em casa até o seu horroroso tridente. Anfitrite, cautelosa, estudou ainda, longamente, o aspecto do deus. Depois, ainda indecisa sobre se deveria ou não aceitar aquela proposta, perguntou, amuada:— E quanto àquele negócio de “meu repositório de sêmen”?Posídon baixou os olhos.— Oh, não, esquece esta bobagem! Tu serás, para sempre, apenas o repositório de minha divina devoção e meu divino afeto.Ainda mais corado por aquele sorriso de superioridade da ninfa,

Posídon enterrou as unhas nas palmas das mãos e resolveu voltar ao velho estilo:— Vem, vamos de uma vez, minha rainha!E encurralou-a na parede da gruta úmida e deu-lhe um beijo intenso e apaixonado.Depois levou-a nos braços até o golfinho, e retornaram para o palácio de Posídon, onde, então, foi preparada uma grandiosa festa de casamento. Desde então, passaram a governar felizes o imenso império dos mares.Tal acontecimento, fez Posídon esquecer-se de Deméter por algum tempo, e, em agradecimento, o deus intercedeu junto a seu irmão Zeus que imortalizou os dois golfinhos que o ajudaram nas Constelações. Anfitrite foi viver em um majestoso palácio de safira que havia no fundo do mar Arquipélago, não muito longe da costa onde ficava a cidade de Égas, no norte da Acaia, onde haviam-lhe erguido um santuário. Longe, acima das águas, as tempestades varriam as superfícies dos mares, mas nas profundezas a paz era eterna. Grupos de Ninfas ficavam à disposição de Anfitrite para realizar-lhe todos os desejos.Em um carro puxado por quatro corcéis imortais, a deusa sempre que quisesse passeava sobre as ondas ao lado do marido. E quando o casal passava, as ondas se abriam, as aves marítimas voejavam acima de suas cabeças e os golfinhos brincavam alegres nas águas azuis.Em seus passeios, Posídon e Anfitrite eram quase sempre acompanhados por um grupo de deuses marinhos. Entre eles estavam Nereus e as Nereidas.

Nereus era o grande adivinho dos oceanos, aquele que nunca mentia e só dizia a absoluta verdade aos homens. Entre eles, também, acompanhava-os o fruto de sua união: Tríton, e dezenas de Ninfas suas filhas. Tríton soprava sua concha, cujo barulho ensurdecedor provocava grandes tempestades. O velho Proteus também passeava com eles. Proteus não gostava que as pessoas soubessem de seus dotes de vidente e fugia dos curiosos.Além de Proteus, Posídon e Anfitrite tiveram ainda duas filhas, Rode e Bentesícime. Porém, Anfitrite recebeu de seu marido tantos motivos de ciúme quanto Zeus dera à rainha Héra, com seus casos amorosos com deusas, Ninfas e mortais.Quanto aos golfinhos que auxiliaram Posídon a conquistar Anfitrite, Zeus, muito grato, homenageou-os fazendo surgir nos Céus uma constelação: a do Delfim

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Caminhos dos Poderes Animais

Joseph Campbell

Os mensageiros animais, enviados pelo Poder Invisível, já não servem mais, como nos tempos primevos, para ensinar e guiar a humanidade. Ursos, leões, elefantes, lobos e gazelas estão nas jaulas de nosso zoológicos. O homem não é mais o recém-chegado a um mundo de planícies e florestas inexploradas, e nossos vizinhos mais próximos não são as bestas selvagens, mas outros seres humanos, lutando por bens e espaço, num planeta que gira sem cessar ao redor da bola de fogo de uma estrela. Nem em corpo nem em alma habitamos o mundo daquelas raças caçadoras do milênio paleolítico, a cujas vidas e caminhos de vida, no entanto devemos a própria forma dos nossos corpos e a estrutura das nossas mentes. Lembranças de suas mensagens animais devem estar adormecidas, de algum modo, em nós, pois ameaçam despertar e se agitam quando nos aventuramos em regiões inexploradas. Elas despertam com o terror do trovão. E voltam a despertar, com uma sensação de reconhecimento, quando entramos numa daquelas grandes cavernas pintadas. Qualquer que tenha sido a escuridão interior em que os xamãs daquelas cavernas mergulharam, em seus transes, algo semelhante deve estar adormecido em nós, e nos visita à noite, no sono.

É preciso coragem para fazer aquilo que você deseja. Outras pessoas têm um monte de planos para você. Ninguém quer que você faça o que você quer fazer

Como disse no post: Na Deprê, estou meio pra baixo, então resolvi busca na net, algum coisa que chamasse minha atenção, nessa navegação sem rumo, caí no site: http://www.terramistica.com.br/, muito legal.
E encontrei um artigo relacionado a falta de rumo, ou pelo menos a busca por razões erradas, de Joseph Campbell (SOBRE JOSEPH CAMPBELL: Em março de 2004 comemorou-se o Centenário de Nascimento de Joseph Campbell. Pesquisador, professor e escritor, Campbell foi um dos grandes intérpretes do mito do nosso tempo, fazendo-nos ver que os mitos não são histórias "de ontem" ou de deuses esquecidos, mas renovam-se diariamente como nossos sonhos e nossas energias.), bem.. Leiam o artigo e depois reflitam.

Reflexões sobre a arte de viver



Joseph Campbell


Se você quer um título universitário para compensar um complexo de inferioridade, abra mão do complexo, pois ele é algo artificial.

Quando você cursa uma universidade, não faz aquilo que você quer fazer. Você descobre o que o professor quer que você faça para receber o diploma e faz isto. Se você quer o título para dar aulas, o ideal é fazer o curso da maneira mais rápida e fácil. Tendo recebido o diploma, aí você expande a sua educação.

Recebi uma bolsa de estudos na Europa, e fui cursar a Universidade de Paris. Estava dedicando-me ao francês e ao provençal medievais e à poesia dos trovadores. Quando cheguei à Europa, descobri a Arte Moderna: James Joyce, Picasso, Mondrian - toda aquela turma. Paris, em 1927-1928, era outra coisa. Depois, fui à Alemanha, comecei a estudar Sânscrito e me envolvi com o hinduismo. Depois Jung enquanto estudava na Alemanha. Tudo estava se abrindo - deste lado, daquele lado. Bem, a minha dúvida na época foi: "Devo voltar para aquela garrafa?" Meu interesse pelo romance celta se fora.

Fui à universidade e disse: "Olha, não quero voltar para aquela garrafa". Tinha feito todas as matérias necessárias para o título; só precisava redigir a maldita tese. Não me deixavam ir para outro lugar e dar prosseguimento aos estudos, e por isto eu disse, vão para o inferno. Mudei-me para o campo e passei cinco anos lendo. Nunca tirei meu Ph.D. Aprendi a viver com absolutamente nada. Estava livre e não tinha responsabilidades. Foi maravilhoso.

É preciso coragem para fazer aquilo que você deseja.

Outras pessoas têm um monte de planos para você.

Ninguém quer que você faça o que você quer fazer.

Eles querem que você embarque na viagem deles, mas você pode fazer o que quiser.

Eu fiz isto. Fui para o mato e li durante cinco anos.

Foi entre 1929 e 1934, cinco anos. Fui para uma pequena cabana em Woodstock, Nova York, e mergulhei. Tudo que fazia era ler, ler, ler, e tomar notas. Foi na época da Grande Depressão. Eu não tinha dinheiro, mas havia uma importante distribuidora de livros em Nova York chamada Stechert - Hafner, e eu escrevia e pedia livros para eles - os livros de Frobenius eram caros - e eles me mandavam alguns exemplares, e eu não pagava. Era assim que as pessoas agiam durante a Depressão. Eles esperaram até eu conseguir um emprego, e então eu os paguei. Foi um gesto muito nobre. Fiquei realmente grato por eles.

Li Joyce, e Mann e Spengler. Spengler fala de Nietzsche. Vou a Nietzsche. Então, descubro que não se pode ler Nietzche sem ter lido Schopenhauer, e por isso vou a Schopenhauer. Descubro que não se pode ler Schopenhauer sem ter lido Kant. Então, vou a Kant.- bem, concordo, você pode começar daqui, mas é bem difícil. Depois Goethe.

Era excitante ver que Joyce estava na verdade, lidando com o mesmo material. Ele nunca menciona o nome de Schopenhauer, mas posso provar que esse foi uma figura importante na forma como Joyce construiu seu sistema.

Depois leio Jung e vejo que a estrutura de seu pensamento é basicamente a mesma de Spengler, e fico reunindo todo este material.

Não sei como passei esses cinco anos, mas estava convencido de que ainda sobreviveria a mais alguns. Lembro-me de uma ocasião em que tinha uma nota de um dólar na gaveta de uma cômoda, e eu sabia que enquanto ela estivesse ali, eu ainda contaria com meus recursos. Foi bárbaro. Eu não tinha responsabilidade, nenhuma. Era excitante - escrever meus comentários no diário, tentar descobrir o que eu queria. Ainda tenho tudo isto. Quando leio esse material hoje, não consigo acreditar. Na verdade, houve momentos em que quase pensei - quase pensei - "Caramba, gostaria que alguém me dissesse o que eu tenho de fazer", algo assim Ser livre, implica tomar decisões, e cada decisão é uma decisão que altera o destino. É muito difícil encontrar alguma coisa no mundo exterior que se ajuste ao que o sistema dentro de você tanto anseia. Hoje, sinto que tive uma vida perfeita: aquilo de que precisava apareceu justamente quando eu precisava. Na época, eu precisava viver sem emprego durante cinco anos. Isso foi fundamental.


Como diz Schopenhauer, quando você analisa sua vida em retrospecto, tem a impressão de que seguiu um enredo, mas, no momento da ação, parece o caos: uma surpresa atrás da outra. Depois, mais tarde, você vê que foi perfeito. E tem uma teoria: se você estiver seguindo seu próprio caminho, as coisas virão até você. Como é seu próprio caminho, e ninguém o percorreu antes, não existe um precedente; logo, tudo que acontece é uma surpresa, e na hora certa.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Mitos e lendas (parte três)

Senhor do reino subterrâneo. Acreditava-se que, com seu carro, viesse ao mundo para buscar as almas dos mortos. Possuía um capacete que o tornava invisível. Somente Hades tinha o poder de restituir a vida de um homem, porém, utilizou-se desse poder pouquíssimas vezes e, assim mesmo, a pedido da esposa. Era o deus das riquezas porque dominava nas profundezas da terra, de onde mandava prosperidade e fertilidade; era considerado um deus benéfico. Hades, apelidado de Pluto, é filho de Cronos e de Reia.



Ao nascer, foi engolido pelo seu próprio pai e só voltou à luz do dia graças à intervenção de seu irmão Zeus. Por isso, participará em todas as suas lutas vitoriosas.Hades tem o poder absoluto sobre o mundo inferior e cada um dos seus nomes corresponde a um aspecto desta sua soberania.Etimologicamente, Hades é o Invisível. O seu capacete, sobretudo, tem a propriedade de o esconder de todos os olhares. A este título, ele é o misterioso, terrífico e impiedoso soberano dos Infernos, universalmente odiado.



Em oposição, Pluto é o Opulento. Senhor de uma população que não cessa de crescer, proprietário de todos os despojos dos mortais e ainda dos tesouros escondidos no mundo subterrâneo (particularmente os filões). Por isso ele exerce uma influência benéfica sobre a prosperidade do solo, sendo muitas vezes associado, pelos Gregos, ao culto de sua irmã Deméter.



Hades é invocado através de um ritual que consiste em bater na terra com as mãos ou com vergas. Em sua honra são imolados touros negros ou ovelhas negras, durante a noite.Indiferente às agitações do céu e da terra, Hades quase não deixa o palácio infernal e o seu trono de ébano e de enxofre. Fá-lo, por exemplo, quando é ferido por Héracies, que tinha vindo capturar o cão Cérbero. Nessa altura, eleva-se ao Olimpo a fim de receber os cuidados dos deuses.



Conhecemos-lhe poucas aventuras. Desejoso de desposar uma mulher, rapta a sua sobrinha Core, filha de Deméter e de Zeus, e transforma-a na rainha Perséfone, com a qual vive metade do ano e de quem não terá herdeiros.Hades será fiei a Perséfone, a não ser em dois momentos pontuais: quando teve um devaneio pela ninfa do Cócito, chamada Minta (ferozmenteespezinhada por Perséfone, será transformada em menta, por Hades) e quando se apaixonou por Leuce, filha do Oceano, que será metamorfoseada em choupo argênteo (é este o sentido de leuce).


Hades é, raramente, representado sozinho. Ele figura, geralmente, ao lado de Perséfone, sendo apresentado como um homem barbudo com uma serpente, símbolo do mundo subterrâneo, e o corno da abundância.

Mitos e lendas (parte dois)

Deus da guerra, filho de Zeus e de Hera. Deleitava-se com a guerra pelo sei lado mais brutal, qual seja a carnificina e o derramamento de sangue. Inimigo da serena luz solar e da calmaria atmosférica, ávido de desordem e de luta. Ares era detestado pelos outros deuses, o próprio Zeus o odiava. Tinha como companheiros nas lutas Éris, a discórdia; Deimos e Fobos, o espanto e o terror, e Ênio, a deusa da carnificina na guerra. Amou Afrodite, da qual teve Harmonia, Eros, Anteros, Deimos e Fobos. Deus da guerra e filho de Zeus, rei dos deuses, e sua esposa, Hera. Os romanos o identificaram com Marte, também um deus da guerra.
Ares, sanguinário e agressivo, personificava a natureza brutal da guerra. Era impopular tanto com os deuses quanto com os humanos. Entre as divindades associadas com Ares estavam sua mulher Afrodite, deusa do amor, e divindades menos importantes, como Deimos (o Temor) e Fobos (o Tumulto), que o acompanhavam em batalha. Embora Ares fosse bélico e feroz, não era invencível, mesmo contra os mortais. A adoração de Ares, que se acredita ter origem na Trácia, não se estendia à toda a antiga Grécia, e onde existiu, não tinha importância social ou moral. Ares era uma divindade ancestral de Tebas e tinha um templo em Atenas, aos pés do Areopago, ou Colina de Ares.

Filho de Zeus e de Hera, de quem terá herdado o carácter intratável (segundo seu pai), Ares nasceu na Trácia, o país das laranjas, dos cavalos e dos guerreiros. Ele pertence à geração dos doze grandes deuses do Olimpo, sendo venerado como o deus da guerra e da luta. A sua força física invulgar correspondia à sua fúria sanguinária. (Relacionamos o seu nome com a raiz grega arque significa: destruir.)Ares era completamente obcecado pela luta. Deleitava-se a percorrer com a sua quadriga os campos de batalha, coberto com uma armadura de bronze e munido com uma enorme lança, espalhando o terror. Habitualmente era acompanhado por Éris, a Discórdia, e pelas sombras Kéros, sequiosas de sangue fresco.

Todo o Olimpo se afastava dele e o seu próprio pai não lhe escondia a sua antipatia. Curiosamente, o seu maior inimigo, como ele filha de Zeus, era Atena, deusa da razão, com quem entrava frequentemente em conflito. Ela dominava-o e atormentava-o facilmente, pois a violência de Ares era tão primária nas suas manifestações, tão pouco subtil, que o colocava assiduamente em situações humilhantes. Recordemos, a propósito, a sua captura pelos dois gigantes Aloídas, que o prenderam durante treze meses num vaso de bronze, até que Hermes o veio libertar. Mas a pior de todas as suas humilhações foi-lhe infligida por Hefesto.

Hefesto era casado com Afrodite, que o traiu exactamente com o deus da guerra. Ora, para evitar que o sol, ao despertar, revelasse o seu segredo, Ares colocou como sentinela o seu favorito Alectrião. Mas, certa manhã, este adormeceu, e então Hélio descobriu o casal e avisou Hefesto. Furioso, o deus do fogo e da metalurgia lançou sobre os amantes uma rede invisível, a fim de os aprisionar. Depois convocou todas as divindades do Olimpo, para que elas assistissem ao despertar dos culpados e ao seu embaraço. Mais tarde, Ares, por vingança, transformou o seu favorito num galo que, a partir desse dia, vigiaria e anunciaria, pontualmente, o nascer do sol.


Afrodite foi, sem dúvida, o seu grande e único amor entre as imortais, a ponto de Ares se comportar como um amante possessivo e ciumento, desembaraçando-se ardilosamente dos seus rivais, como Adónis, a quem ele inspirou a paixão pela aventura, conduzindo-o assim à morte. Desta união ilícita nasceram diversas crianças (destacamos, entre outras, a Harmonia e o malicioso Eros, mas também o povo guerreiro das Amazonas, descendente de Ares, é apresentado, por vezes, como nascido de Afrodite). Apesar disto, Ares contraiu outras uniões, mas a sua posteridade não conheceu uma sorte invejável. Os filhos nascidos destes amofes são, todos eles, apresentados como seres sem grande importância, seres violentos e salteadores.

Flégias, por exemplo, incendiou por vingança o templo de Delfos, sendo morto por Apolo. Diomedes, que alimentava os seus cavalos com carne humana, acabou, ele próprio, por servir de repasto a estes animais. E o obstinado Meleagro só conheceu uma vida de provações e dificuldades. E, finalmente, a infortunada Alcipe foi violentada por um filho de Posídon, que Ares posteriormente matou. Mas Posídon procurou vingar-se, conduzindo-o perante o tribunal dos deuses, que se reuniu no próprio sítio do crime, numa colina de Atenas. Apesar de tudo, o assassino beneficiou de circunstâncias atenuantes, não sendo por isso sacrificado. E a colina onde se realizou o julgamento recebeu o nome de colina de Ares, o Areópago, servindo doravante de sede dos processos de carácter religioso.Ares (os Romanos deram-lhe o nome de Marte) foi representado pelos escultores e pintores de todos os tempos (Roma, museu Borghèse e Paris, Louvre). Citemos, entre aqueles que o associaram a Afrodite (Vénus): Piero di Cosimo (Berlim), Botticelli (Londres), Mignard (Avigon), Le Brun (Louvre), Poussin (Louvre), Véronèse (Turim), Boucher (Londres); e entre aqueles que o pintaram na companhia de Atena (Minerva): Véronèse (Berlim), David (Londres), etc. Velásquez consagrou-lhe uma tela célebre (Madrid, museu do Prado).

O seu nome é conotado com a raiz mar, que evoca a força geradora - foi, inicialmente, para os Romanos, um deus agrário. Ele era especialmente adorado na Primavera (no mês de Março) e muito particularmente pela juventude.Os seus atributos guerreiros só vieram mais tarde e acabaram por suplantar os anteriores, que foram transferidos para Libero. Marte é o deus dos exércitos (que manobram no campo de Marte, à volta das muralhas de Roma), travando batalhas ao lado dos seus fiéis, geralmente escoltado pela deusa Belona (sua irmã, sua esposa ou sua filha?).O seu culto teve, em Roma, uma importância comparável ao culto de Júpiter. Com efeito, o Romano, camponês e soldado, reconhecia em Marte o seu protector imediato. Além disso, Marte era associado à história de Roma, nas suas origens: apaixonado pela vestal Reia Sílvia, ele visitara-a no bosque sagrado onde seu tio, o rei de Alba, a tinha aprisionado. Deste encontro amoroso nasceram Rómulo e Remo, os dois gêmeos que teriam sido alimentados por uma loba, animal consagrado a Marte.Filho de Juno (Ovídio conta que a deusa o concebeu não como resultado dos seus amores com Júpiter, mas através de uma flor fecundante), Marte foi rapidamente identificado, pela lenda, ao deus grego da guerra, Ares.O dia de Marte (Martís dies) é a terça-feira.

Mitos e Lendas (parte um)

Os deuses nórdicos estavam com problemas no alto reino de Asgard. A casa onde moravam não tinha muros para protegê-la dos inimigos. Assim, quando um cavaleiro passou e ofereceu para construir um muro, eles escutaram com atenção.



"Será um grande muro", ele disse, "uma barreira para todos os inimigos. De hoje a dezoito meses, todas as suas preocupações se acabarão"."E qual é seu preço?", perguntou Odin, o sábio."Nada menos que a deusa Freyja como esposa", respondeu o estrangeiro. "E o sol e a lua também".Os deuses ficaram furiosos e quiseram expulsar de Asgard o homem que tinha ousado pensar que a bela Freyja poderia ser negociada Mas o esperto Loki disse:

"Se você puder construir o muro em seis meses, o negócio está fechado!. Aos outros deuses, sussurrou: "Em seis meses, ele só construirá meio muro, mas pelo menos essa parte será de graça." O homem olhou Freyja mais uma vez, enquanto ela chorava lágrimas de ouro, e concordou, se seu cavalo pudesse ajudá-lo.Durante todo o inverno o estrangeiro trabalhou. Com ajuda de seu cavalo, ele conseguiu juntar pedras para um muro maciço em volta de Asgard. Quando o verão se aproximou, o desastre esperava pelos deuses. Pois, contra todos os prognósticos, o construtor tinha quase terminado o muro.

"Você se julga tão esperto, Loki", disse Odin. "Você nos meteu nisso; agora você tem que nos tirar disso. Não podemos deixar Freyja se casar com este estrangeiro, que pode ser um gigante disfarçado. E, sem o sol e a lua, a vida não valerá a pena. Faça alguma coisa!"Loki pensou muito e disse: "Sem o cavalo o construtor não poderá trazer as pedras que faltam." Como Loki era capaz de se transformar, naquela noite ele se disfarçou em uma bela égua e atraiu para longe o cavalo do estrangeiro. Vendo que não poderia terminar o muro no prazo, o construtor ficou furioso. Seu disfarce caiu, revelando que ele era um gigante, um dos inimigos dos deuses.

Os deuses chamaram Thor, o mais forte deles. Com seu martelo, Miollnir, Thor pagou ao construtor seu salário: não com o sol nem com a lua, mas com um tremendo golpe na cabeça. Quanto a Loki, quando achou que seria seguro voltar a Asgard, ele chegou com um cavalo de oito patas, cujo nome era Sleipnir. Loki deu Sleipnir para Odin, dizendo: "Nenhum cavalo jamais poderá competir com este. Ele o levará através dos mares e do ar, e para a terra dos mortos e de lá de volta." Como Loki prometeu, Sleipnir nunca falhou com seu novo senhor, Odin. Mas nem todos os descendentes de Loki são como Sleipnir. Loki é meio gigante e tem três filhos com uma giganta. O primeiro é Fenris-lobo, que no fim do mundo irá devorar Odin. O segundo é a serpente Midgard, e a terceira é a senhora da morte, Hel, que festeja com a fome e se alegra com a doença.

Quando Odin viu que essas terríveis crianças estavam soltas no mundo, fez com que viessem até ele. A serpente ele jogou no oceano; ela era tão grande que circundou o mundo e mordeu seu próprio rabo. Hel, ele expulsou para Niflheim, a Terra dos Mortos, e lhe deu poder sobre tudo que morre de doença ou de velhice.Mas o Fenris-lobo não era fácil de controlar. Só o deus Tyr era suficientemente corajoso para alimentá-lo, e até ele podia ver que o Fenris-lobo logo ficaria forte o bastante, para fazer muito mal. Assim, os deuses fizeram uma corrente muito forte e o prenderam com ela. Mas com uma patada ele partiu a corrente.



Eles tentaram outra vez com uma corrente ainda mais forte. E outra vez o lobo se soltou. Odin pediu ajuda aos anões, e eles fizeram o grilhão chamado Gleipnir. Macio como seda, Gleipnir era feito de ingredientes especiais: o som de um passo de gato; uma barba de mulher; as raízes de uma montanha; os tendões de um urso; a respiração de um peixe; e o cuspe de um pássaro. Os deuses levaram o Fenris-lobo para uma ilha deserta e o desafiaram a quebrar Gleipnir. Percebendo a armadilha, o lobo concordou em ser amarrado só se um dos deuses pusesse uma mão em sua boca, como sinal de boa fé. Assim, o bravo Tyr enfiou sua mão entre as mandíbulas do terrével lobo.




Eles amarraram o lobo com os grilhões macios mas, dessa vez, quando ele esperneou o grilhão apenas se apertou mais. Furioso, o Fenris-lobo fechou suas enormes mandíbulas e decepou a mão direita do deus Tyr.Mesmo sabendo que chegaria o tempo em que o Fenris-lobo se libertaria e traria morte e destruição a todos eles, os deuses não o mataram.

"O que tem de ser, será", disseram.

sábado, 28 de junho de 2008

Magia e aventura são as fórmulas de"A viagem de Chihiro"



Chihiro é uma menina mimada, emburrada por estar em mudança para uma nova cidade. Durante a viagem, junto com seus pais, ela se perde na estrada e encontra um túnel com uma estranha estátua. Curioso, o pai incentiva a sua família a entrar, contra a vontade da garota. Eles descobrem um parque de diversão aparentemente abandonado, mas repleto de comidas deliciosas. O casal não hesita em comer sem pedir licença.

Não contente com essa situação, Chihiro resolve passear por conta própria e descobre que o local não é um simples parque. Na verdade, trata-se de uma casa de banho para os Deuses. Quando ela corre de volta ao local que seus pais estavam, outra surpresa: eles foram transformados em porcos pela feiticeira proprietária da casa, Yubaba.

Para não ser transformada em animal também, resgatar seus pais e ainda voltar para casa, a menina submete-se a trabalhar para a bruxa. No entanto, Chihiro recebe o apoio do misterioso Haku, um jovem aprendiz de Yubaba, que lhe ajuda a superar todos os desafios e se tornar uma garota mais forte e determinada.

No decorrer da trama, falam mais alto o amor que a menina sente pela família, pela vida, e os valores da amizade, sem os quais, provavelmente, Chihiro não sobreviveria no mundo fantástico.

Hayao Miyazaki explica, com essa produção, porque é um dos diretores mais respeitados do gênero no planeta. "A Viagem de Chihiro" recebeu o Oscar de melhor filme de animação e foi o primeiro longa-metragem animado a receber o prêmio Urso de Ouro.